domingo, 18 de dezembro de 2011

O areal é apenas um viridário de espelhos



 

Persigo-te com os dedos pela ausência
Das cores que escorrem pela parede
Dos despojos arrebatados do sono

Na boca brame um coração de papel
Como um pêndulo sem prumo
Onde o tempo se perde num surdo grito

O areal é apenas um viridário de espelhos
Onde se passeiam vozes em queda livre
O dedilhar de uma guitarra portuguesa
Traz-me um último gemido das tuas mãos


Carlos Val

3 comentários:

luz efemera disse...

..."Passo a passo sem pressas
Recalco serenamente a areia macia da praia
Desfaleço um sorriso
Na contemplação dos gestos envoltos
Em crianças e pais
Sem medos que o tempo se esgote
Porque o tempo escondeu-se por instantes
No ribombar do trovão ameaçador
E baila com o fulgor"...


Parabéns pelo blogue. Seguirei com atenção.
Abraço

Centelha Luminosa disse...

Um poema provocante. Li mais que uma vez pra re-sentir o prazer de ler um excelente poema.
"...um último gemido das tuas mãos"...é excitante, caro poeta. Gostei demais da conta!
Beijos!

Isa disse...

são belíssimos seus poemas, fico sem palavras.

beijinho.
Isa